Para novo reitor da Umesp, mercado e educação cristã não são excludentes

É possível praticar educação ética-cristã em um cenário capitalista concorrido, diz prof. Paulo Borges na noite de posse

Praticar a confessionalidade da Igreja Metodista e atender, ao mesmo tempo, as exigências do mercado competitivo da educação não são princípios inconciliáveis. É possível harmonizar competência de gestão, capacidade acadêmica e científica com uma educação transformadora fundamentada em valores éticos e cristãos, afirmou o novo reitor da Universidade Metodista de São Paulo, professor Paulo Borges Campos Júnior, em discurso de posse na noite de 7 de abril.

“Terei dois olhares muito atentos: um para as diretrizes da nossa crença cristã; outro, mais astuto, para essa arena agressiva que fala de investimentos, preços, concorrência. Educar e formar cidadãos com valores cristãos em um ambiente de mercado, com uma realidade econômica que atinge todas as instituições de ensino, é só um aparente dilema”, disse, enfatizando que a Metodista decidiu fazer frente ao jogo competitivo educacional atuando como rede de educação.

Segundo o novo reitor, é preciso entender a demanda da sociedade onde a escola está inserida para praticar a fé e a educação “transformadoras de vidas”. No caso da UMESP, disse que seu compromisso é fortalecer equipes e desenvolver ações conjuntas entre diretores, coordenadores, professores, pastoral e colaboradores administrativos. Fez menção especial aos educadores: “Professor é figura central na educação. É ali que se mexe o doce”, afirmou, referindo-se a provérbio de sua região de origem, Goiás, onde atuou por mais de 30 anos no setor de ensino e consultor econômico.

Aluno como “cliente”

Entre as ações fixadas como plataforma de trabalho, professor Paulo Borges elencou quase uma dezena: desburocratização de processos, valorização do aluno como “cliente”, estreitamento de relações com escolas co-irmãs, ampliação de cursos conforme solicitações locais e regionais, consolidação da oferta de lato-sensu e curta duração, fortalecimento do stricto-sensu com pesquisas “socialmente significativas”, valorizar decisões colegiadas, mais parcerias com programas sociais e ampliação da internacionalização com novos acordos entre centros de ensino.

Em cerimônia prestigiada pelo staff administrativo da Igreja Metodista e do Instituto Metodista de Ensino Superior (IMS), ao qual a universidade pertence, o novo reitor recebeu as vestes talares e foi empossado solenemente pelo reitor pró-tempore e diretor nacional de Ensino Superior da Rede Metodista de Educação, professor Fábio Botelho Jogrislberg, e pelo bispo-presidente do Colégio Episcopal da Igreja Metodista e bispo da 2ª região eclesiástica, Luiz Vergílio Batista da Rosa.

Reforçando o princípio do fundador metodista John Wesley, segundo o qual educação e atividade religiosa devem caminhar lado a lado, o diretor geral das Instituições Metodistas de Ensino, Robson Ramos de Aguiar, citou que só no Brasil mais de 300 mil pessoas são impactadas pela instituição, levando-se em conta os mais de 50 mil alunos atuais. No mundo, são 800 escolas e universidades e cerca de 700 mil estudantes. “A UMESP é parte desse cenário grandioso. Que sua gestão seja profícua e abençoada para que a universidade se realize plenamente na sua comunidade e no Brasil”, desejou o diretor ao novo reitor.

Em cerimonial que intervalou discursos e cânticos executados pelo grupo Vozes Amigas, também expressaram palavras de incentivo e votos de sucesso membros da mesa solene, como o bispo da 3ª região eclesiástica da Igreja Metodista e assessor episcopal para o IMS, José Carlos Peres; o presidente do Conselho Superior de Administração (Consad) Valdecir Barreros; o ex-reitor interino Fabio Josgrilberg; e o secretário do Consad, Afrânio Gonçalves de Castro. Reverendo Afrânio fez a leitura do termo de posse, enquanto a reverenda Gladys Barbosa Gama, da Pastoral Universitária, conduziu os momentos devocionais.

Compromisso transformador

Bispo José Carlos Peres exortou a todos os colaboradores da UMESP, não só o reitor, a ocuparem-se do compromisso da missão metodista de promover o conhecimento e formar cidadãos que transformem a sociedade e ajudem o Brasil a superar o conjunto de crises que vive, da econômica à moral e política. Professor Josgrilberg lembrou do tempo de Páscoa e associou a posse à renovação da aliança do professor Paulo Borges com a Metodista. “Que Deus lhe dê sabedoria, coragem e humildade para saber ouvir, tomar decisões difíceis e correr riscos”, falou.

Valdecir Barreros, do Consad, lembrou que educação é uma das paixões de Paulo Borges. “E quando somos apaixonados pelo que fazemos e juntamos sensibilidade, alegria e vontade de fazer a diferença, muito do caminho à frente está aplainado”, sublinhou, entendendo que já passou o momento pior da crise econômica e política que o Brasil atravessa há quatro anos, mas que nem a recessão nem a concorrência no setor educacional devem ser ignorados.

Segundo citou, a crise tem feito milhares de alunos reféns, enquanto a criação de grandes grupos econômicos para atuar na educação gerou uma ação devastadora sobre IES confessionais. “Temos de fazer diferente: gestão arrojada, inovadora, pois concorrência e crise não devem abalar nosso compromisso com qualidade de ensino e vida com ética cristã”, acrescentou.

Prestigiado também pela família, com a esposa Rosariane e a mãe Purcina Mendonça à frente, coube aos filhos Paulo Neto e Rodrigo Campos falarem do orgulho e do apoio ao novo desafio profissional do pai. Outro momento de emoção foi o da saudação do pastor José Teixeira de Sousa, titular da Igreja Metodista em Novo Horizonte, Goiânia, onde o novo reitor Paulo Borges serviu como membro e coordenador da Administração, além de professor da escola dominical. “Professor Paulo prova que é um homem de Deus, que se dedica à sua comunidade, que ama sua igreja. Atende agora a novo chamado, de servir a uma nova célula”, afirmou.

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